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A Quermesse está chegando — mas você sabe o que faz essa festa ser tão especial? 

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Vamos te contar um segredo que todo garopabense carrega com orgulho: a festa mais bonita de Garopaba não acontece no verão. 

Não é no pico de janeiro, quando as praias estão lotadas e a fila do restaurante dobra o quarteirão. Não é no Carnaval, nem na temporada das baleias. A festa mais genuína, aquela que faz o olho do morador brilhar de verdade, acontece num feriado de junho, quando o ar já esfriou, o outono deu o tom e a cidade voltou a ter gosto de si mesma. 

Estamos falando da 26ª Quermesse de Garopaba, que acontece de 3 a 7 de junho de 2026, na Praça Governador Ivo Silveira. Cinco dias que reúnem o que a cidade tem de mais real: fé, comida boa, música, tradição, solidariedade e aquele calor humano que nenhuma praia cheia consegue reproduzir. 

Se você já ouviu falar, mas nunca foi, é hora de mudar isso. E se nunca ouviu, você está prestes a descobrir o melhor motivo para visitar Garopaba no outono. 

De Onde Veio Essa Festa (e Por Que Ela Sobreviveu 26 Anos) 

Para entender a Quermesse, você precisa entender de onde vem Garopaba. 

A cidade tem raízes açorianas profundas. Os primeiros colonizadores chegaram de Portugal e das ilhas dos Açores entre os séculos XVIII e XIX, trazendo na bagagem não só a técnica da pesca artesanal e a arquitetura da Igreja de São Joaquim, mas também uma maneira de viver em comunidade. De celebrar juntos. De cuidar uns dos outros. 

A palavra “quermesse” em si já conta essa história. Ela vem do flamengo kerkmesse — kerk significa “igreja” e messe significa “feira”. Ou seja, literalmente: uma feira de igreja. A tradição chegou ao Brasil pelos europeus durante o período colonial e foi se misturando com a cultura indígena, afro-brasileira e dos imigrantes, ganhando um caráter multicultural que é exatamente o espírito da Quermesse de Garopaba

A nossa edição local nasceu em 1999 — há 26 anos — como uma iniciativa popular para celebrar e preservar a cultura local, unindo música, arte, fé e solidariedade em um mesmo espaço. Começou pequena, como uma celebração comunitária. E foi crescendo porque tocava em algo verdadeiro: o desejo de uma comunidade de se reconhecer, de se celebrar, de dizer “isso aqui é nosso e a gente cuida”. 

Hoje, com 26 edições na conta, a Quermesse já recebeu mais de 50 mil pessoas numa única edição. Já foi palco de artistas nacionais como Armandinho, Barões da Pisadinha, Jota Quest, Diogo Nogueira. E esse ano brilhará com como Alexandre Pires, Roupa Nova, Atitude 67 e Mariana Fagundes. Mas mesmo com todo esse crescimento, ela não perdeu a alma. E isso, cá entre nós, é o feito mais difícil de qualquer festa popular. 

O Que Faz da Quermesse Uma Festa Diferente de Tudo Que Você Já Foi 

Sabe aquelas festas que parecem feitas apenas para foto? A Quermesse é o oposto disso. 

Ela é feita pra ser vivida. E o que ela oferece vai muito além de shows — embora os shows sejam muito bons, como vamos te mostrar. 

A tainha. Todo dia, ao meio-dia, a praça vira um almoço coletivo com tainha fresquinha. Peixe da nossa costa, preparado pela rede feminina de combate ao câncer que arrecada fundos para a causa- servido em mesas compridas onde você se senta do lado de quem não conhece e sai de lá com um amigo novo. Isso aqui não é cardápio de restaurante turístico. É cozinha de vizinhança. 

O carro de boi e a cavalgada. No domingo, acontece um dos momentos mais impressionantes da festa: o desfile de carros de boi na Lagoa das Capivaras, com disputa de baliza. E na quinta-feira, Corpus Christi, cavaleiros percorrem praias e estradas numa cavalgada que mistura devoção e tradição campeira.  

Os tapetes de Corpus Christi. Na manhã da quinta-feira, moradores acordam cedo para decorar as ruas com tapetes coloridos que servirão de caminho para a procissão. É trabalho voluntário, é arte coletiva, é devoção na forma mais bonita que existe. Quem vê pela primeira vez fica parado, sem palavras. 

As entidades. Uma das coisas que mais nos orgulha nessa festa é que ela não existe pra enriquecer ninguém. As barracas de comida, as atividades, os espaços — tudo é organizado por associações, grupos comunitários e entidades que prestam serviço ao município. A APAE, grupos de jovens, a Pastoral da Saúde, entre outros. A festa arrecada para quem cuida da cidade. 

Os artistas locais. O espaço “Talentos da Terra” é um dos pilares da Quermesse. É ali que músicos, grupos culturais e artistas garopabenses — muitas vezes iniciando a trajetória — sobem ao palco. É a cidade investindo nos seus próprios. E ver um artista local emocionado com o público da terra dele aplaudindo? Não tem preço. 

O artesanato. A feira reúne dezenas de expositores com peças feitas à mão, muitas delas inspiradas em Garopaba: a paisagem, a baleia franca, a pesca, o surf. Você leva pra casa um pedaço real da cidade. 

26ª Quermesse de Garopaba, a programação de 2026 — Cinco Dias Que Valem a Viagem 

A 26ª edição acontece de 3 a 7 de junho e a programação está repleta de atrações nacionais e momentos culturais inesquecíveis. Vamos te contar o que esperar de cada dia. 

Quarta-feira, 3 de junho — A abertura que dá o tom 

A festa começa às 18h30 com abertura oficial. Logo em seguida, shows com Alan Space e Daniel Almaoê, seguidos pelo Rock Brothers. À noite, os alunos da rede municipal cantam o Hino, há pronunciamento das autoridades, apresentações da poetisa Fatinha e do Grupo São Luiz Gonzaga — tradição pura. E a noite termina com muito pagode (Pagode do Ju), DJ Cristiano Sassá e o grande nome da noite: Alexandre Pires, que sobe ao palco às 23h30. 

Quinta-feira, 4 de junho — O dia mais especial da Quermesse 

Esse é o dia de Corpus Christi, e ele merece atenção especial. A manhã começa com a confecção dos tapetes pelas ruas do centro. Às 9h, a Cavalgada de Corpus Christi reúne cavaleiros que partem pelas estradas da região. Ao meio-dia, almoço de tainha na praça com apresentação musical. Às 15h, a Procissão e Missa de Corpus Christi. À noite, mais cultura com Terno de Reis e grupos tradicionais, seguidos pelos shows Duo Sol, Macacústico e Karen Rosa. O encerramento da noite fica com Roupa Nova às 23h30 — um dos grupos mais queridos da música brasileira. 

Sexta-feira, 5 de junho — Cultura do começo ao fim 

Mais um almoço de tainha ao meio-dia. Tarde recheada de apresentações culturais: o Palhaço Marcha Lenta, o Coletivo Cara Peta e o Grupo Cultural Reboliço. À noite, shows da Banda Nite, Milsinho e Banda, Scincro e Eduardo Cardoso. O encerramento fica com Mariana Fagundes — voz e emoção de sobra. 

Sábado, 6 de junho — O dia da diversidade 

Além do tradicional almoço de tainha, o sábado tem a Harmonize Escola de Música, o espaço Talentos da Terra — aquele espaço especial dos artistas locais que estamos sempre de olho —, e shows que vão de Jorge Opala a Zona 12, passando pelos Surfistas da Paz e o Grupo Apetrechos. E a noite termina do jeito certo: Atitude 67 no palco a partir da meia-noite. 

Domingo, 7 de junho — A despedida que a gente nunca quer que acabe 

Ás 9h, a disputa de baliza de carro de boi na Lagoa das Capivaras já aquece a comunidade. Ao meio-dia, mais uma rodada do almoço de tainha. À tarde, o desfile de carros de boi e apresentações de grupos de dança e projetos sociais. Às 18h, espetáculo infantil da Atitude Cia de Dança de Garopaba. E às 19h, o encerramento — aquele momento em que todo garopabense olha pra praça cheia e sente uma mistura estranha de orgulho e saudade, mesmo que a festa ainda nem tenha acabado direito. 

O Que Muda na 26ª Edição (e Por Que Isso Importa) 

Toda festa que se respeita evolui. E estamos animados com os ajustes que a Quermesse de 2026 traz. 

A organização repensou o posicionamento do palco principal, da área de gastronomia e do espaço do almoço da tainha. O objetivo é duplo: melhorar a experiência do público e reduzir o impacto negativo no comércio local, especialmente em relação ao fechamento de ruas. São 20 entidades responsáveis pela alimentação, com trabalho voluntário que mantém o espírito coletivo que sempre nos moveu. 

O espaço Talentos da Terra segue como vitrine dos artistas locais iniciantes — porque entendemos que preservar cultura é também abrir portas pra quem vai carregá-la adiante. 

A estrutura física continua impressionante: mais de 12 mil m² de área, com área coberta significativa, palco principal, tendas, banheiros distribuídos, sistema de som e iluminação profissional. Pra quem não conhece, a estrutura surpreende — não parece uma festa de cidade pequena. Parece exatamente o tamanho que a cultura de Garopaba merece. 

Por Que a Garopaba de Junho É Diferente da Garopaba de Janeiro 

Vamos ser honestos aqui, de quem mora e vive isso. 

Garopaba no verão é linda. Mas é outra cidade. A cidade fica acelerada, cheia de gente boa, mas acelerada. 

Garopaba em junho é uma revelação. 

O outono já chegou com aquele frescor gostoso que pede um agasalho ao anoitecer, mas ainda não aperta o frio de verdade. O mar fica com aquela cor mais intensa, densa, de estação mais fria chegando. As praias estão quase desertas — e lindas assim. Os restaurantes têm mesa sobrando, os moradores estão nas ruas, e a cidade parece respirar de um jeito diferente. É quando você entende por que quem vem aqui acaba ficando. Porque Garopaba não é só verão. É um jeito de viver o ano inteiro. 

O clima de junho em Garopaba tem algo de especial: dias de sol suave, tardes com brisa, noites frescas que pedem uma jaquetinha leve. É o tempo perfeito pra ficar na praça até tarde, ouvir música, comer bem e não querer ir embora. 

E no meio de tudo isso, de 3 a 7 de junho, a praça central se transforma, as luzes acendem, o cheiro de tainha toma conta do ar, a música começa — e a cidade apresenta o seu lado mais verdadeiro pra quem tiver a sorte de estar aqui. 

Dicas de Quem Mora Aqui: Como Aproveitar Ao Máximo 

Já que você pensou em vir (e você vai), vamos te passar algumas dicas que só quem conhece a festa de perto sabe. 

Chegue cedo no almoço da tainha. Começa ao meio-dia e é um dos momentos mais gostosos da festa. As filas formam rápido e com razão — o peixe é fresco, o ambiente é de confraternização mesmo, e sentar em mesa com desconhecidos que viram amigos faz parte do ritual. 

Não pule a cavalgada e o desfile de carro de boi. Sabemos que parece coisa de quem cresceu aqui, mas não é. É impressionante. Ver os carros de boi desfilando pela Lagoa das Capivaras com aquela paisagem ao fundo é uma das cenas mais lindas que essa cidade oferece. E a disputa de baliza tem uma técnica que você não imagina. 

Chegue cedo na quinta-feira para ver os tapetes. A confecção começa às 8h da manhã. Vale muito acordar cedo pra ver as ruas sendo transformadas por mãos voluntárias antes da procissão de Corpus Christi. 

Compre artesanato. A feira de expositores tem peças que você não vai encontrar em loja nenhuma. E cada uma tem uma história de quem fez com as próprias mãos. 

Dê uma volta pelos grupos culturais. O Terno de Reis, o Boi de Mamão, o Grupo São Luiz Gonzaga — essas apresentações são curtas mas são ouro. São o DNA da cultura açoriana vivo e dançando. 

Vista-se em camadas. O dia pode esquentar, mas a noite de outono em Garopaba pede um agasalho. Uma jaqueta leve no fim da tarde resolve bem e você curte os shows com conforto. 

Reserve hospedagem com antecedência. A Quermesse atrai visitantes de toda Santa Catarina e de outros estados. Garopaba tem ótimas opções — pousadas pé na areia, chalés, acomodações com vista pro mar — mas as melhores enchem rápido. Estamos com uma lista completa de onde ficar em visitegaropaba.tur.br/onde-ficar

Use Taxi ou venha a pé. O centro fica movimentado e as ruas ao redor da praça têm restrições durante a festa.

Uma Festa Que Cuida da Cidade Enquanto Celebra 

Tem um detalhe da Quermesse que, quanto mais você pensa, mais bonito fica. 

Ela não existe pra gerar lucro. Ela existe pra gerar união. 

As 20 entidades que operam as barracas de comida usam o que arrecadam pra sustentar seus projetos ao longo do ano. A APAE, grupos de jovens, a Pastoral da Saúde, associações de bairro. A festa alimenta quem cuida da cidade. 

Em edições anteriores, a Quermesse já foi além das fronteiras de Garopaba: uma edição se tornou solidária com vítimas das enchentes do Rio Grande do Sul, transformando o ingresso numa oportunidade de doação. Esse é o espírito da festa. Ela nunca se esquece de que faz parte de algo maior. 

Estamos orgulhosos disso. É por isso que, quando o palco se apaga no domingo à noite e as luzes da praça voltam pro normal, a sensação não é de fim. É de dever cumprido. É de cidade que se olhou no espelho e gostou do que viu. 

Então — Você Vai Vir? 

Tem um argumento que nenhuma brochura turística consegue fazer melhor do que a experiência em si: quem vai à Quermesse uma vez, volta. 

Não é clichê. Acontece de verdade. A festa tem algo que é difícil nomear — é aquela sensação de que você está num lugar onde as coisas importam de verdade. Onde a cultura não é decoração, é vida. Onde a comunidade não é só uma palavra bonita, é gente que se abraça na praça às duas da manhã depois de um show, com o frio bom do outono no rosto. 

Garopaba já é conhecida como capital do surf catarinense, como refúgio das baleias francas, como destino de praias paradisíacas e trilhas de tirar o fôlego. Mas quem veio em junho e viveu a Quermesse sabe que essa cidade tem um lado que vai muito além das praias. 

Tem um coração que bate forte. E em junho, ele bate na Praça Governador Ivo Silveira. 

Estamos te esperando. 

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